Conferência UMC-Next - contribuições do Pastor Marvel Souza


O Pastor Marvel Souza foi convidado a compor uma das mesas de debate na Conferência UMC-Next realizada em maio de 2019 no Kansas Estados Unidos. Esta conferência teve como objetivo maior o fomento de abordagens de Inclusão Eclesial Plena e Liberação Total de Pessoas LGBTQ+  ao Exercício Pleno da Fé. 


No evento, representando cristãos metodistas inclusivos do Brasil, o Pastor levantou uma questão relacionada à institucionalização da fé e a abertura de novas estruturas cristãs abertas à população LGBTQ+. Segundo o Pastor, alguns cristão optam em permanecer em estruturas fundamentalistas e lutar por espaço dentro das mesmas. Outras, por sua vez, escolhem criar novos espaços, onde possam exercer a fé sendo que são, e passam a enfrentar desafios novos, próprios desta nova estrutura. Dentro os quais ele destacou:

- o sexismo ministerial;
- o proselitismo religioso de pessoas LGBTQ+;
- a desordem ministerial, doutrinária e administrativa;
- o preconceito interno;
- a falta de formação e capacitação teológica.

SEXISMO MINISTERIAL

No que tange ao sexismo ministerial, o Pastor Marvel elencou exemplos de igrejas que criam um ambiente onde apenas um gênero se mostra como dominante e detentor da capacidade ministerial, não abrindo espaço para que pessoas de orientação sexual ou identidade de gênero diferentes possam ascender ministerialmente. 

O PROSELITISMO RELIGIOSO DE PESSOAS LGBTQ+

Segundo o Pastor, o desafio de criar um evangelismo humanizado que tem por objetivo maior a pregação do evangelho não só em palavras, mas sobretudo em ações, em muitas igrejas é suplantado pela plano alvo de ter mais e mais fiéis listados no rol de membros e frequentando os cultos. De acordo com o Pastor: "Em muitas instituições cristãs a evangelização surge sem parâmetros, sem planejamento e sem espiritualidade. E pior, sem nenhum vínculo com o discipulado genuinamente bíblico. Nestas instituições, os pastores e presbíteros deixam de se dedicar ao cuidado e acompanhamento pastoral, porque não sabem que tipo de abordagem adotar, ao considerar a especificidade de cada pessoa da sigla". 

DESORDEM MINISTERIAL, DOUTRINÁRIA E ADMINISTRATIVA

Neste ponto, o Pastor Marvel destacou que muitos cristão inclusivos não têm uma profissão de fé, e nem mesmo seus líderes possuem uma declaração de missão, por considerarem que igreja é culto e apenas culto. Quando muito, intercalam cultos, eventos e ação social. Nas palavras do Pastor: "Uma Igreja que têm cultos, eventos e ação social, mas não possuí uma profissão de fé e seus líderes não têm claramente definida qual é a sua missão, é como um construtor que desprezou as bases e início a obra da casa pelo telhado". 

Outro aspecto destacado diz respeito à administração física da instituição, que na maioria das igrejas não é definida - não se sabe qual é o perfil eclesiástico da denominação. O que ocasiona uma confusão teológica e ao mesmo tempo priva a instituição do exercício eclesiástico pleno e legal. À exemplo disso, o pastor citou o caso de Igrejas que trabalham inclusão eclesial de pessoas da sigla e nunca realizaram um casamento religioso com efeito civil, porque não sabem que gozam deste direito, ou não estão legalmente regularizadas para tanto. 

Ademais, segundo o Pastor, toda Igreja deve ter uma carta de serviços eclesiásticos na qual os seus membros, visitantes e sociedade encontrem os serviços eclesiásticos que são disponibilizados, fundamentados nos documentos da igreja e no respaldo legal. 

PRECONCEITO INTERNO - TENSÃO ENTRE AS SIGLAS

Durante sua trajetória ministerial em igrejas fundamentalistas e igrejas de inclusão de pessoas LGBTQ+, o pastor Marvel elencou algumas situações que comprovam que há uma tensão entre as siglas no que diz respeito à aceitação e celebração de todas as pessoas das siglas. Nesta tensão, de acordo com relatórios pastorais apresentados, pessoas trans e travestis têm dificuldade em se sentir acolhidas, porque não encontram nas igrejas inclusivas trabalhos que as contemplem, promovendo inserção social e eclesial. 

O pastor relatou que ouviu de um cristão gay praticante que se seu líder fosse uma pessoa trans ou travesti, ele jamais continuaria na sua igreja, pois não acredita que estas pessoas podem ser habilitadas para o exercício ministerial como clérigos. 

Em outra feita, o pastor disse ter ouvido um pregador dizer que bissexualidade não existe, que trata-se de uma desculpa usada pelas pessoas que não querem se assumir como gays ou lésbicas. 

A FALTA DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO TEOLÓGICA 

No que atine à formação e capacitação de líderes que trabalham com Inclusão Eclesial de pessoas LGBTQ+, o Pastor Marvel destacou a quase inexistência de formação ou capacitação teológica comprovada dos mesmos. O que prejudica a estruturação e a manutenção doutrinária das instituições de inclusão. O pastor atribuiu isso, em grande parte, à falta de cursos específicos e acessíveis aos líderes LGBTQ+ . 

De acordo com o pastor, o movimento inclusivo nasceu e cresceu no Brasil basicamente fundamentado em novas interpretações dos textos garrotes (textos bíblicos utilizados para condenar pessoas LGBTQ+), e se esqueceu que não basta defender a fé, é preciso exercê-la plenamente. A Teologia Inclusiva, infelizmente, se sobrepôs à Teologia Prática e Pastoral. Na visão do pastor, estas deveriam caminhar juntas dentro de um novo contexto para suas aplicações.

Nas palavras do pastor: "Explica-se porque alguém é aceito, mas não se consegue fazer com que este alguém crie raízes na fé e frutifique. Acharam um lugar que as aceita, mas não as celebra plenamente como filhos e filhas de Deus. Como na história do filho pródigo foram recebidas pelo Pai, mas ainda não cruzaram os portões da casa para celebrar e serem celebradas. Ainda estão ao portão chorando suas dores". 

Comentários

  1. Mi perceptcion desde los comentarios tan bien definidos pro el Pastor Marvel: es a mi juicio y experiencia de vida religiosa en mi pais: Argentina, lo siguiente:

    En relacion a :

    1.- sexismo ministerial: se debe de retrabajr educacionalmente en que ambos sexos para el ejercicio minsterial estan tan capacitados unos igual a los otros..nada tiene que ver con lo masculino y lo femenino...ergo: puede habermujeres que sean menos empaticas en el minsterio o Capellania/s u otros tipos de ejercicio ministerial...como el de la Salud , hay varones que si sean o no mas o menos empaticos...eso no implica mayor pre-eminencia entre generos ni sexos...la empatia ministerial deviene en los dones y capacidades de cada ser humano para el que mejor se sienta llamado a ejercer y entre todos fortalecen el Ministerio Eclesial, Pastoral, Episcopal, Diaconal ..de Servicio..ni unos sobre los otros..

    2.- proselitismo religioso de personas LGBTQ +: para poder acompñar acertivamente a cada uno de lso posibles fieles dela sigla..se requeire de uan formacion especifica de cada uno de lso conecptos que la sigla significa, identifcando las tipologias que son convergentes y las tipologias divergente o particulares de cada una de las letras que la sigla implican...para poder acompñar efectivamente en nuevo modelo de vivir la Fe, la espiritualidad acompañada a la par no como un rebaño numerico sino como un rebaño que es acogido en Gracia, en Fe , en amor identificado individualizado segun las perspectivas de cada letra de la silgea o acronimo LGTTBIQ

    -3.- desorden ministerial, doctrinal y administrativo: Aqui lo que prima es la capacitacion y guia coordinada de un PII ( Plan de Implantacion de Igelsias) de una formacion sobre la administracion y desarrollo economico para la expancion de comunidades nuevas...

    4.- prejuicio interno: Los prejuicios devienen en que quizas existe y persiste aun que los grupos mas vulnerables de la IGLA , las mujeres Trans y Travestis estan signadas por el colectivo Gay en que las mismas solo vivien de la prostitucion o ejercicio de trabajadoras Sexuales...y que el colectivo de varones Gays por sobre las muejres Lesbianas en menor cuantia opinana que muejeres Trans / Travestis: no poseen formacion o estudios a diferencia de el resto de la sigla ...logrando niveles acadeicos universitarios y desarrollo social labroal profesional...que marca una gran brecha entre el imaginario de todo el colectivo LGTBIQ...enttre otros factores..que hay trabajar para desmitificar..

    5.- la falta de formación y formación teológica: Aqui esto es susanado ofreciendo acceso a todos los interesados/interesadas para adquirir una formacion especifica no solo teologica sino sobre educacoon sexual integral sea como vividos laicos comprometidos con sigo mismo y con la Iglesia o para formarse apra un Minsterio Inclusivo Reconciliador Pleno..para todos







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