Evolucionismo X Criacionismo

EVOLUCIONISMO X CRIACIONISMO - QUESTÃO JÁ SUPERADA - Por Hermes C. Fernandes (Doutor em Ciência da Religião)

* Não preciso ser conservador para ser cristão.
* Não preciso ser homofóbico para ser cristão.
* Não preciso ser misógino para ser cristão.
* Não preciso ser criacionista para ser cristão.
* Não preciso ser nacionalista para ser cristão.
* Não preciso apoiar o atual governo para ser cristão.
* Não preciso ser xenófobo para ser cristão.
* Não preciso ser contrário a qualquer manifestação cultural para ser cristão.
Sobre a teoria da evolução, muitos cristãos sinceros acreditam piamente nela. Um dos primeiros deles foi Pierre Teilhard de Chardin (Leiam "O fenômeno humano"). Atualmente, um dos mais proeminentes defensores do chamado evolucionismo teísta é o Dr. Howard J. Van Till, um cristão evangélico, professor de física no Calvin College em Grand Rapids, Michigan. Outro famoso Evolucionista Teísta que despontou na mídia recentemente é o Dr. Francis Collins, diretor do Projeto Genoma, autor do livro "A Linguagem de Deus". Collins era ateu e converteu-se à fé durante o projeto Genoma. Para um evolucionista teísta, o Criador usou de processos naturais que Ele mesmo instituiu para ordenar o universo como o conhecemos.
Há questões que só vêm para dividir. Algumas delas já não têm qualquer relevância, ainda que tenham tido em algum período da história. O fato é que já foram superadas, ficando para trás.
Mas sempre tem quem queira ressuscitá-las.
Constatamos isso na conversa entre Jesus e a Samaritana. Quando percebeu que Jesus a conhecia de maneira sobrenatural, ela tentou desviar o foco para uma questão que já deveria ter sido superada: Onde, afinal, se deveria adorar a Deus, no Templo em Jerusalém, como alegam os judeus, ou no Monte Gerizim, onde a bênção do pacto foi proferida, como advogam os samaritanos?
Obviamente, ela esperava que Jesus tomasse partido pela opinião dos judeus, porém, Ele percebeu sua tentativa de desviar o foco da conversa, e respondeu:
“Mulher, crê-me, a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai (...) Vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (João 4:21,23a).
Hoje temos nossas próprias questões. Algumas delas remontam séculos de discussão acalorada, como as que se seguem:
* Batismo por aspersão x batismo por imersão.
* Arminianismo x Calvinismo (Livre arbítrio humano x Soberania Divina)
* Cessacionismo x Contemporaneidade dos dons
* Mulheres podem ser pastoras?
E tantas outras!
Mas talvez a que mais tem rendido pano para manga ultimamente seja Criacionismo x Evolucionismo, ou se preferirem, Fé x Ciência.
Imagine se naquela época Jesus insistisse com a Samaritana que o lugar correto de se adorar a Deus era o Templo em Jerusalém. Ora, samaritanos não eram bem-vindos ali. Sua entrada era vetada pelos sacerdotes. E a recíproca era verdadeira. Judeus não eram bem-vindos nas cercanias de Samaria.
De maneira análoga, não podemos insistir com a ideia de que os cientistas de nosso tempo aceitem o criacionismo da maneira como tem sido exposto e acreditado por séculos. E nem podemos exigir que seja ensinado nas escolas como ciência. Lugar de se ensinar o Criacionismo ou qualquer outro dogma religioso é na igreja!
Posicionar-se radicalmente contra os postulados científicos é adotar uma postura anacrônica. Basta deixar cada coisa em seu devido lugar.
As questões com que lida a Ciência são distintas das questões com que lida a Fé.
A Ciência se preocupa em responder “onde”, “quando”, “como”. Enquanto a Fé se preocupa em responder “quem” e “por que”.
Feito do barro, a Bíblia apresenta o homem como um vaso em processo de modelagem. Parece-me plausível acreditar que a roda usada pelo oleiro para modelar-nos ao longo das eras tenha sido a evolução. Isso não muda o fato de que fomos feitos para o louvor de Sua glória.
Tal qual fez Jesus em Sua sábia resposta à Samaritana, podemos antever o dia em que Fé e Ciência caminharão de mãos dadas, deixando para trás os antigos conflitos, e reconhecendo sua dependência mútua. Onde a ciência se cala, a fé se pronuncia. Onde a fé se cala, a ciência investiga.
Vai chegar a hora, e já chegou, em que o importante não será se o homem foi feito diretamente do pó da terra, ou se foi fruto de um longo processo evolutivo, mas o propósito para o qual veio a existir.
Vai chegar a hora, e já chegou, em que teólogos e cientistas deixarão suas trincheiras, e unirão esforços para atenuar o sofrimento humano, e prover-lhe esperança de dias melhores.

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